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O livro Quincy Jones — 12 Notas sobre a vida e a criatividade não é uma biografia. Em certos pontos, soa como autoajuda. Em outros, se aprofunda em tons fortes. Numa infância forjada pela doença devastadora de sua mãe, o garoto encontrou um refúgio: “a música havia chegado para me acalmar, confortar e curar". 

Contou com o acolhimento de outras mulheres em sua formação. Entre elas, a sra. Ayres, que deixava aberta uma porta numa sala de piano para Quincy tocar. Outra foi Nadia Boulanger, primeira mulher a dirigir a Filarmônica de Nova York. Uma das principais professoras de composição do século XX, ajudou a moldar sua formação técnica rigorosa, com sensibilidade: “sua música nunca pode ser mais ou menos do que você é como ser humano”.

Seu pai foi o primeiro mentor, de quem herdou disciplina. E a força para superação dos muros e humilhações do racismo, quando dizia: “Nem uma gota da minha autoestima depende da sua aceitação”. Pelo caminho, encontrou outros mentores. Os professores Joseph Powe e Parker Cook ofereceram incentivos, livros e uma sala de ensaio. Louis Armstrong foi amigo e modelo; Count Basie deu lições sobre integridade e ética. Clark Terry, trompetista de Basie, repousa num lugar especial — entre admiração, afeto e gratidão. 

Era natural que Quincy passasse a ser mentor. Ao lado de Michael Jackson, enfrentou o preconceito racial e o de estilos: poucos acreditavam que Jones, vindo do jazz, conseguiria alcançar sucesso no pop. Por outro lado, com Frank Sinatra — o primeiro que o chamou de “Q”, seu apelido por toda a vida — uma breve colaboração resultou numa parceria de anos e forte amizade.

No livro, Quincy parte de suas dores e do medo de articular o próprio propósito para contar uma história que se abriu às oportunidades: “você pode optar por usar o que tem, ou perder o que tem; escolhi a primeira opção”. 

12 notas sobre a vida e a criatividade
Quincy Jones
Tradução: Ana Beatriz Rodrigues
H1 Editora, 2024
160 páginas

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